sexta-feira, junho 08, 2012
Mar e Lua
Quando o Mar e a Lua brigavam, ela se escondia e ele fazia ondas destruidoras, que devastavam cidades.
Ela iluminava o caminho dele, e celebrava cada nova conquista, cada passinho novo, cada alegria suada.
Ele trazia força, barulho e amor ao caminho dela. E juntos, seguiam a vida.
Até que, um dia nem tão belo assim, o Mar secou e a Lua se desesperou. Sem rumo, procurou por seu amor, em todos os cantos mais remotos do mundo: não havia mais Mar, não havia mais som nem destruições violentas.
Desesperada de dor, ela chorou e chorou. Chorou tanto que suas lágrimas fizeram Mar novamente.
A-Mar. E assim, fez-se a Lua. E os dois viveram felizes para sempre.
sexta-feira, maio 25, 2012
Uma Velha Nova Canção
Não existe Reveillon
Os planos que não fizemos, as brigas que não tivemos, o filho que não nasceu. Os sonhos que não sonhamos, os caminhos que não escolhemos.
Essas fotos são como um peso no meu coração. Retratos de uma alegria que não existiu, de um momento que não é nosso mas que poderia ter sido.
Não existe reveillon porque não existem planos, nem sonhos, nem nada.
Só a vontade de não pertencer mais a lugar nenhum.
domingo, maio 20, 2012
Das Dores
Mas também sou Tereza, a outra avó. Com quem eu aprendi a fazer tapioca e massa de gnocchi, e aprendi que a gente nunca deve partir o macarrão ao meio antes de cozinhá-lo em água fervendo, com bastante sal e o mais importante: sem óleo.
Também sou Maria de Lourdes. E com minha mãe, aprendi que a vida é um desafio a ser superado diariamente, mas sempre com bom humor.
E sou Barbara, como minha bisavó: mulher de temperamento forte e sem papas na língua, com um coração enorme e generoso, que acolhia tudo e todos, sempre com um gostoso prato de pasta e um bom vinho italiano.
Sou Áurea, a avó dos grandes olhos castanhos, cabelos cacheados e mãos de pianista, que só conheci por fotografias.
Sou todas as mulheres incríveis e fortes da minha família: carrego no corpo e na alma toda a ancestralidade e sabedoria dessas e de tantas outras, que fizeram de mim a mulher que sou hoje.
Não vou desistir do meu amor, por mais que seja dolorido ver fotos e lembrar de um tempo que não volta mais: sei que meu papel é estar ao lado dele, do jeito que for.
sábado, maio 12, 2012
Das dores, das perdas e dos acasos felizes
Que a vida é uma caixinha de surpresas, todo o mundo já sabe. E que basta um passo a frente pra tudo mudar, também. O que eu não imaginava é que minha vida fosse mudar tanto, e em tão pouco tempo.
Aprender a lidar com as perdas e fazer delas uma deliciosa limonada tem sido um grande desafio e um imenso aprendizado. Aquela moça ingênua, que escrevia num blog de amigos sob um pseudônimo óbvio já não existe mais. Quer dizer.... existe sim, só não é mais uma moça ingênua ;)
As pessoas não são iguais nem pensam da mesma forma. E diante de uma tragédia pessoal, cada um tende a olhar pro próprio umbigo e pras próprias dores. A duras penas, venho aprendendo que a cada nova dor, surge um novo amor.
E é isso que faz com que a vida continue valendo a pena: à dor, amores. A cada tragédia, uma pequena grande vitória. A cada passo, um aprendizado rico e maravilhoso.
No fim das contas, a vida vale muito a pena. E amar também.
Coisas de Pai e Filho
Hoje caminhei com o Bernardo durante vinte minutos. Creio não ser pouco pra ele, pois ainda é bastante novo. Novo? Sim, mas mais educado que muita gente que conhecemos. Passamos por uma flor e ele deu bom dia para ela. Fez o mesmo com um cachorrinho. Depois respondeu quando uma senhora nos deu bom dia. Coisas de pai e filho. Coisas de filho e pai. A troca é mais do que justa e a influência é mútua. Mútua e indireta. Sempre indireta. Caso contrário, seria correto dizermos: Coisas de ditador e subalterno. Coisas que dificilmente os pais entendem: os filhos não são uma (re)impressão dos pais; são eles, apenas eles mesmos. Crescerão e tomarão rumos, provavelmente, diferentes do seus guias na infância. Então, influenciar é sempre bom, desde que seja indiretamente. Mais ou menos a ideia de discípulo e mestre serem a mesma pessoa. Tu vai crescendo e aprendendo contigo mesmo, se conhecendo melhor, reconhecendo seus limites; outras pessoas não podem te dizer sobre essas coisas, somente o mestre conhece seu discípulo, somente nós nos conhecemos bem. Tudo tem que ser de coração, a influência tem que estar sempre calada, quieta lá no cantinho. Ela pode sugerir, mas sempre com breves sussurros. Fazer o que os outros fazem pode ser que até façamos bem, mas se não for de coração, logo deixamos aquilo pra trás. Muitos só querem carimbar-se nos outros, como modelinhos a ser seguidos nas páginas brancas já amareladas. De pessoas perfeitas o mundo tá cheio, o que o Bernardo precisa é alguém demasiado humano ao lado dele. Coisas de pai e filho.
quinta-feira, abril 19, 2012
Madamices 4
Cosmo tinha um problema.
Não era assim um problemão, ou algo que atrapalhasse muito a vida, mas vinha incomodando o pequeno ajudante da MTSP. Era um problema físico (não, não era a altura...).
Resolve chamar um amigo anão médico da “comunidade” para a tenda da MTSP em um momento em que ela não estaria.
Senta-se a mesa solenemente, bola de cristal a frente e do outro lado da mesa o Dr. Anão.
Dr.: Vamos lá, Cosmo, me diga em que eu posso te ajudar.
Cosmo: Sabe o que é Dr... Eu tenho um problema que está me irritando um pouco...
Dr.: Diga lá o que é rapaz. Desembuche!
Cosmo: ... É que eu sou anão, né? Perninhas curtas e tal... E meu instrumento é um pouco, digamos, avantajado...
Nessa hora a MTSP chega do seu passeio matinal e, passando pela tenta, vê os dois à mesa, ouve o “avantajado”, e resolve ouvir a conversa escondida.
Cosmo: ... Então, Dr... Tenho esse problema... Ele é grande demais, e atrapalha pra andar... Fica enroscando nas pernas e não consigo jogar futebol no time dos anões... Fora que pra agachar, se estiver armado, é impossível!
E pra comprovar, coloca literalmente o P. na mesa. Madame arregala os olhos com o tamanho do negócio e observa mais atenta ainda!
Dr.: Então meu amigo... Só temos uma alternativa... Cortar parte desse instrumento gigante que o Sr. Tem... Que tal cortarmos a cabeça?
Cosmo: Há Doutor... Vai ficar esquisito, né? Que tal então a gente cortar assim, uma parte do meio e juntar depois as duas.
Dr.: Não sei se funciona... Podemos cortar na base, tirar o excesso e juntar na base de novo costurando.
Nisso madame dá um pulo na frente dos dois e fala:
MSTP: Para, para, para!!! Para tudo!! Ninguém mexe no meu parquinho de diversões!! Pode dar um jeito em esticar as pernas dele!!
