quarta-feira, julho 24, 2013

De repente, adeus



Na data de hoje de certo
Veio a notícia tardia
Revelando que partia
Mais um poeta eterno

Foi pra o céu Dominguinhos
Fazer companhia pra quem
Já está lá em cima no além
Seguindo seu nobre destino

Foi tocar com o mestre Luiz
Que faz par com seu filho bacana
Tocando sua sanfona
Que nos fez encher de luz

Muito forrós nos dançamos
E iremos ainda dançar
E com certeza relembrar
Pois nós ainda aqui ficamos

Parte pra junto de Deus
Músico da minhaz raizes
Que sempre fez todos felizes
Deixando versos de adeus

"Saudade, o meu remédio é cantar"

quarta-feira, maio 15, 2013

Não se perca de mim

Eu te avisei e te pedi "não se perca de mim", porque já sabia que isso iria acontecer. E sabia, sentia que você se tornaria uma lembrança e que se esvaneceria, feito fumaça, quando o mar acalmasse.

Já não te sentia mais presente, nem perto, porque já não havia mais interesse, feito brinquedo novo na mão de criança pequena: enjoei, enjoamos.
Não houve tempo pra construir alicerces, nem disposição para ouvir o outro com ouvidos de "primeira vez". E então, o que era vivo virou fumaça e se perdeu no ar.

E eu, que não sei viver sem vontade, senti um alívio imenso quando nos perdemos: um sentido só não faz verão e a vida segue seu rumo.

E eu, que não caibo nesse trem, senti o sopro da liberdade quando coloquei meus pés de novo no chão e me vi livre e repleta de mim mesma.


Porque, pensando bem, eu tenho um amor, que não cabe em mim...

terça-feira, maio 14, 2013

Emocionalmente Débil (a duas mãos)

Sou emocionalmente débil.

Epa:

Entrego meu coração de bandeja, a vinagrete, para uma mulher que não merece o presente. Para uma que o prova, saboreia, digere e aproveita. Depois paga a conta e vai embora.

Ruby:

Que quando ele saia, mastigando os últimos pedacinhos, a seiva que lhe corre por dentro vá trazendo à tona as memórias, as mesmas que eu tenho aqui, nessa poltrona, perguntando por quê, tentando entender o que não se explica.

Epa:

E tonto que sou, tongo apaixonado, ultimo encarnado flechado pelo querubim gordinho, fico prostrado, atirado, rasgado ao meio. Como um pão sem mortadela, um queijo sem goiabada. Como um cão sarnento delegado a uma nota de rodapé na história de alguém.

Ruby:

Emocionalmente débil. Tentando esvair através da poesia, da cerveja, do som tocando, do violão faltando uma corda, o que eu não sei tirar aqui de dentro. Querendo aprender a não lidar mais com nenhum deles desta forma, mas sabendo que o melhor de mim está justo em ser assim. Num dilema esticado por discussões entre anjo e diabinho, um em cada ombro, madrugada adentro.

Epa:

Eternamente incompleto. Eternamente em busca. Sem sincronia. Sem sorte. Sem entendimento de que sou o cara certo pra ela. De que sou o cara certo pra mim mesmo. Profissionalmente estável. Financeiramente bem. Emocionalmente débil. Sempre um passo atrás. Perdendo pra o ex. Perdendo pra o destino.

Ruby:

Até o dia em que amanhecer diferente, mais uma vez, e o próximo par de olhos lindos chegar arrasando comigo. Eu sei que vai acontecer, que um dia o mar vai acordar de ressaca e levar tudo pelo caminho outra vez. Mas desta vez vai ser a pessoa certa. E se não for desta vez, haverá uma próxima.

Epa:

Emocionalmente débil. Porque ela é mar, e me envolveu, e me arrebatou com aquele par de olhos castanhos. Mas traiçoeiro é o mar, como ela também o é. E os poemas, o "dar de mim", para ela nunca nada significaram alem de palavras jogadas ao vento. Palavras pequenas, num pequeno blog, num pequeno canto. Cansado. Débil e cansado de sofrer a mesma história tantas vezes lida.

quarta-feira, maio 01, 2013


Às vezes eu vivo mais tempo de volta na sala da sua casa, a milhares de quilômetros e um oceano inteiro de distância, do que aqui dentro de mim.

sábado, abril 27, 2013

Mil Palavras


Mil palavras...


E se só houvesse isso para resumir tudo que sentimos, tudo que somos, nossos anseios e sentimentos, sonhos, desesperanças, inquietudes...

E caberia a alma em mil palavras? Talvez em quinhentas? E o que dizer nessas poucas palavras? Como interpretar todos os nossos atropelos e angustias?

Seria um exercício de retorica com a profundidade necessária a um pequeno conto, um pequeno conjunto de palavras em versos, rimando geladeira com raio de Sol, chocolate com coração?

E se mais simples fossemos e tivéssemos apenas 100? Quais escolheríamos? Quais os nomes que ansiosamente falaríamos até que se esgotasse o cabedal do que somos?

E apenas 10? Seriam suficientes?

E se procurasse no mais profundo de si apenas uma. Uma única palavra que te resumisse. Seria possível?

Se eu procurasse uma única palavra que me representasse, apenas uma, a que contivesse minha quintessência...

Essa palavra seria...

Amor...

segunda-feira, março 18, 2013

Eu envergo mas não quebro




Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo


E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro

domingo, março 03, 2013

Fiz o doce de goiaba na panela, do jeito que você gostava de dizer que era o melhor que existia, melhor que o da sua mãe, melhor que o da sua avó e de toda a geração de mulheres herdeiras da receita de família. Tá chovendo lá fora, parece noite. Uma tempestade de vento, dentro e fora. Acabou a luz. Acendi uma vela, era a última da gaveta, você precisa comprar outro pacote quando for ao mercado. Aproveitei e fiz um pedido, nunca se sabe, vai que. Prendi os cabelos naquele coque bagunçado que faz você me chamar de dona louca e vesti um jeans. Eu vim pra me despedir, mas você não sabe, ou finge que não sabe, não sei dizer. Lembra quando você me deixou pra trás sem saber explicar? Eu acho que nunca me recuperei, apesar de não doer mais com aquela intensidade nem de longe. Porque eu deixei de comer, de dormir, de raciocinar, e eu quase morri. E eu acho que você sabia, sabe? Nunca me entrou na cabeça como você pôde fazer aquilo comigo, mesmo que você tente explicar o quanto doeu em você também. No fundo eu acho isso um puta de um papo furado (desculpa se não for). Quando você me chamou cheio de amores e eu vim, eu queria sentir a sua pele pela última vez. E eu não gostei. Eu achava que fosse ser diferente, mas não tanto. Percebi que eu não te conheço mais direito, que a gente não ri mais das mesmas coisas e nem se acredita mais. Que a gente se olha nos olhos vazios, como quem encara a merda da página de esportes falando de um time que você não conhece. Então enquanto você foi trabalhar no dia de folga, pensando na sua vida, assobiando uma música triste e dizendo que voltava depois das quatro, eu apanhei minha mochila pequena e peguei o que era meu e ainda estava aqui, enquanto havia alguma esperança. Tirei suas roupas do varal pra não molhar. Não deu, moreno...
Desculpa qualquer coisa.