sábado, abril 27, 2013

Mil Palavras


Mil palavras...


E se só houvesse isso para resumir tudo que sentimos, tudo que somos, nossos anseios e sentimentos, sonhos, desesperanças, inquietudes...

E caberia a alma em mil palavras? Talvez em quinhentas? E o que dizer nessas poucas palavras? Como interpretar todos os nossos atropelos e angustias?

Seria um exercício de retorica com a profundidade necessária a um pequeno conto, um pequeno conjunto de palavras em versos, rimando geladeira com raio de Sol, chocolate com coração?

E se mais simples fossemos e tivéssemos apenas 100? Quais escolheríamos? Quais os nomes que ansiosamente falaríamos até que se esgotasse o cabedal do que somos?

E apenas 10? Seriam suficientes?

E se procurasse no mais profundo de si apenas uma. Uma única palavra que te resumisse. Seria possível?

Se eu procurasse uma única palavra que me representasse, apenas uma, a que contivesse minha quintessência...

Essa palavra seria...

Amor...

segunda-feira, março 18, 2013

Eu envergo mas não quebro




Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo


E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro

domingo, março 03, 2013

Fiz o doce de goiaba na panela, do jeito que você gostava de dizer que era o melhor que existia, melhor que o da sua mãe, melhor que o da sua avó e de toda a geração de mulheres herdeiras da receita de família. Tá chovendo lá fora, parece noite. Uma tempestade de vento, dentro e fora. Acabou a luz. Acendi uma vela, era a última da gaveta, você precisa comprar outro pacote quando for ao mercado. Aproveitei e fiz um pedido, nunca se sabe, vai que. Prendi os cabelos naquele coque bagunçado que faz você me chamar de dona louca e vesti um jeans. Eu vim pra me despedir, mas você não sabe, ou finge que não sabe, não sei dizer. Lembra quando você me deixou pra trás sem saber explicar? Eu acho que nunca me recuperei, apesar de não doer mais com aquela intensidade nem de longe. Porque eu deixei de comer, de dormir, de raciocinar, e eu quase morri. E eu acho que você sabia, sabe? Nunca me entrou na cabeça como você pôde fazer aquilo comigo, mesmo que você tente explicar o quanto doeu em você também. No fundo eu acho isso um puta de um papo furado (desculpa se não for). Quando você me chamou cheio de amores e eu vim, eu queria sentir a sua pele pela última vez. E eu não gostei. Eu achava que fosse ser diferente, mas não tanto. Percebi que eu não te conheço mais direito, que a gente não ri mais das mesmas coisas e nem se acredita mais. Que a gente se olha nos olhos vazios, como quem encara a merda da página de esportes falando de um time que você não conhece. Então enquanto você foi trabalhar no dia de folga, pensando na sua vida, assobiando uma música triste e dizendo que voltava depois das quatro, eu apanhei minha mochila pequena e peguei o que era meu e ainda estava aqui, enquanto havia alguma esperança. Tirei suas roupas do varal pra não molhar. Não deu, moreno...
Desculpa qualquer coisa.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

A gente ali de noite, de mãos entrelaçadas, com todos os planos do mundo dentro dos olhos. Dava pra pegar a realidade com as mãos. A realidade efêmera que desmoronou metade como areia escorre, metade como implosão de prédio. Mais um de tantos amores bonitos, de tantos amores desfeitos. Um mal jeito tentando costurar retalhos. Não faltou vontade, faltou coragem. Vi teus olhos foscos indo embora, os meus brilhantes ficando pra trás.

sábado, outubro 13, 2012

dois sorrisos

"sua ausência me condena à dor da saudade". vc sabe disso, mas não me custa nada te lembrar, porque eu vivi os melhores anos do teu lado e minha vida agora é um hiato esperando pelo recomeço. "se vc pedisse pra abrir um caminho, esse iria dar na nossa casa, meu bem", e escutar suas broncas, e rir do seu cuidado quase neurótico com o meu bem estar me faz quase acreditar que as coisas não mudaram tanto assim. mas quando eu vou dormir, tem um buraco do lado de lá da cama, e ai eu lembro que ainda vai levar um tanto de tempo pra que as coisas comecem a se acertar de novo, pra gente voltar a seguir nosso caminho, juntos. "seu sorriso é o que eu preciso, e o resto, tanto faz".
 

sexta-feira, setembro 28, 2012

Os anos que não passamos juntos

Os anos que não passamos juntos foram alguns tristes, outros bonitos. O primeiro quase me arrancou o coração à força, e me fez tentar morrer aos poucos de formas diversas, até perceber que eu não queria morrer de verdade, o que eu queria era ser feliz. Fugi de cidade, pra começar onde não existisse você. Mas existia, porque você já havia vivido lá também.
A sede pelos bons momentos foi me impulsionando, mas mesmo assim o espaço que você ocupava era tão grande que não cabiam outras coisas, e eu bebia muito até vomitar o dobro, pra ver se tudo aquilo saía de dentro de mim. Observação: não saiu.
Morei naquela casa legal com um monte de gente que cuidava de mim, saía comigo, se acabava junto e dizia as mesmas coisas, sobre como queríamos todos encontrar nosso sentido na vida e no amor. Estávamos todos procurando alguma coisa.

No segundo ano eu continuei buscando, e fiz muitas coisas legais, e namorei e morei um pouco junto e descobri que não queria aquilo - não com ele - e morei numa casinha muito bacaninha isolada nas montanhas e visitei cachoeiras e fui trabalhar 10 dias em Porto Alegre e fiz um monte de coisas boas no trabalho e um monte de coisas bizarras na vida e fecharam minha agência e voltei pra São Paulo com um pé machucado e sem cabeça pra nada. Meu irmão foi preso. Recusei o convite pra ser madrinha de casamento da minha irmã e acho que ela ficou magoada. Mas não tinha a mínima condição. Aconteceu uma coisa bem complicada, mas dessa eu não queria falar hoje, e eu fiquei um tempo pensando até o fim daquele ano, e resolvi ir pro Hawaii.
Fugir de cidade não era o suficiente, então eu precisava mudar de país.

Aí eu fiquei um pouco feliz, sabe, com todos aqueles planos, e decidi que queria fazer um trabalho na fundação do Jack Johnson, aquele cantor todo engajado com as questões ambientais, e escrevi pra eles e pra minha própria surpresa, eu poderia fazer um estágio voluntário e escolher se queria plantar hortas nas escolas ou fazer outra coisa que agora não me lembro o que era.
Então eu me planejei e me empolguei e fiz quinhentos e dezessete planos, e fui feliz e contente cheia de documentos em uma pasta azul para minha entrevista no Consulado Americano. E aí eles negaram o meu visto porque eu tinha perfil de quem iria imigrar e não voltar mais. Eu não pretendia fazer isso, minha filha estava aqui afinal. Mas sim, eu tinha mesmo o perfil, não posso negar. E eu saí do Consulado chorando, chorando, chorando, sem me importar com as pessoas olhando, com os carros passando, e liguei pro meu irmão me buscar e quando entrei no carro já estava mais calma, porque nada mais era tão difícil quanto o tsunami emocional de quando eu me perdi de você. E naquele mesmo dia eu já tinha decidido que então ia pra Nova Zelândia, e foi uma das escolhas mais acertadas que fiz, forçada ou não.
Já era o meio do terceiro ano.

Cheguei em Auckland completamente sozinha, sem falar inglês direito, as 4h da manhã com 3 graus de temperatura. O cara que era pra estar lá me esperando não estava - ele foi, mas nos desencontramos - e eu fiz a primeira coisa sozinha num país desconhecido, arrumar uma van pra me levar pra onde seria a casa que eu mais amei morar na vida, um tipo de hostel chic. E naquela cidade e em várias outras do país e naquele lugar eu fui bem feliz. E conheci alguns dos melhores amigos que tenho hoje, gente que esteve do meu lado em momentos maravilhosos e em perrengues homéricos a trocentos mil quilômetros, do outro lado do planeta e com 15 horas de fuso horário de casa. Gente mala e gente inspiradora. Momentos maravilhosos e alguns ruins também. E lá eu aprendi tanto sobre mim, tanto sobre o mundo, tanto sobre o meu coração, e comecei e entender que precisava mesmo viver a vida apesar de não termos dado certo. Que eu ia sempre te levar comigo de alguma forma, e que você era parte importantíssima do meu processo de crescimento na vida. Mas a melancolia chegava às vezes e me soprava baixinho no ouvido: você pode conquistar o mundo, mas nunca vai ser igual. É, meu bem, cada coisa é única, e a gente percebe que existe um milhão de pessoas especiais no mundo, mas que aquelas que nos tocam não desaparecem conforme as outras chegam. É uma dor e um consolo, pois sei que pra aqueles que fui especial também não deixarei de ser.
Fiquei lá até o final do ano, e voltei sem chão, não me reconhecendo mais aqui, não estando mais lá, morta de saudade de mim e de todo mundo, e precisava começar a trabalhar pra esquecer.

O quarto ano em que não ficamos juntos chegou, e com ele o emprego novo na agência de intercâmbio. Área nova, ânimo novo, paixão pelo assunto, várias dificuldades. Durou três meses, e na mesma semana em que saí de lá me mandei pro Chile pra passar uns dias no festival, segundo ano seguido. Gosto muito de lá. Mais pessoas legais no caminho, e mais eu vi que não importa a nacionalidade, todos somos feitos da mesma matéria. Sonhos. Gentileza. Amarguras. Passado. Esperança.
E voltei já com um pé e a cabeça na França, buscando o aconchego de duas pessoas especiais de quem eu já morria de saudades depois de 5 meses longe, e por lá vivi um lindo mês, trabalhando dificuldades na cabeça, na vida, na língua, surtando e sendo feliz ao mesmo tempo, comendo coisas diferentes, tendo desarranjos intestinais, sorrindo, passando horas meditativas em bancos de praças, chorando compulsivamente às margens do Sena e escrevendo muito em um caderninho preto. Concluindo a análise sobre a vida durante 13 horas seguidas presa num aeroporto em Amsterdam, sem dinheiro, com uma garrafinha de água da torneira, mochila, caneta e papel. Voltando pronta pra assumir as coisas por aqui, pra recomeçar.

E recomecei decidindo ser feliz com o que eu tinha no momento, e tentando aproveitar as poucas folgas pra fazer coisas que me fizessem bem, e naquela tarde de sexta, enquanto arrumava a mala pra ir à praia com duas amigas que não via há anos e minha filha a tiracolo, no meio do quarto ano, chegou um e-mail seu. Li e peguei a estrada, ainda não acreditando. Respondi três dias depois, e dezesseis e-mails mais foram trocados naquela data.

De lá pra cá foram mais dois meses e uma passagem pra Fortaleza, coração na mão. Tive medo de você não estar lá, tive medo de você não ir me ver. Tive medo de você me estranhar, e tive medo de estranhar você. Quando dei por mim, estava na porta do hostel, tocando a campainha. E quando aquela porta se abriu, você estava ali. E em dez segundos eu estava dentro do seu abraço apertado, seus braços em volta de mim, minha boca no seu pescoço - quem mandou você ser alto? - e seu nariz me procurando, cheirando meus cabelos, meu pescoço, falando baixinho no meu ouvido, "minha branquinha, minha branquinha". A música mais bonita que eu poderia escutar naquela hora. Um abraço sem fim. Meus brincos caindo no chão com a força daquela saudade. E em algumas horas, os anos que não passamos juntos sorriam pra mim, olhando aquela garota mais madura, mais calma, mais tolerante e mais feliz, e me dando uma piscadinha enquanto você dormia do meu lado.

segunda-feira, setembro 03, 2012

um jeito meu de te mostrar

amor,

sei que não estou tão presente na sua vida como nós dois gostaríamos que eu estivesse. e imagino que, assim como eu, você sinta a minha falta.
porque eu sinto a sua, muito, e não há um minuto sequer que eu passe sem pensar em você, em nós dois.
depois de muito sofrer e chorar, decidi não mais pensar em como vai ser nossa vida daqui a um, dois, três, cinco, dez anos, porque pensar nisso não vai resolver o momento presente, não é verdade?
então, sigo em frente. tem sido difícil, sabe, administrar a dor da ausência, mas isso é uma questão que eu mesma preciso aprender a lidar, sozinha.
eu te amo, M. , e tudo isso só me fez ter cada vez mais certeza da imensidão do meu amor por você.
"às vezes, o diferente pode ser legal"... ouvi essa frase em um filme, cuja história falava sobre a esperança do reencontro e de uma linda história de amor. que pode ser a nossa, porque não?
saiba, meu amor, que estarei sempre ao seu lado. talvez não do jeito que gostaríamos, nem com o tempo pra nós dois que gostaríamos que tivéssemos, mas sim, eu te amo tanto e quero aproveitar a chance que a vida nos deu, pra ser feliz ao seu lado.
quero acordar todos os dias escutando sua voz e sentindo seu abraço, e quero superar todos os desafios ao seu lado. prometo que serei não a mais perfeita, mas a melhor companheira que você poderia ter na vida.
que a nossa saudade nos dê forças pra perseverar no desafio de construir uma nova e feliz história de amor.

te amo,

B.